Friday, December 01, 2006

Faz-me rir

"Que Deus me livre dos homens e de suas igrejas."

Porque são todos hipócritas e fanáticos, acreditando naquilo que nunca viram e querendo que todos acreditem. Porque eles são os primeiros na hora de apontar o dedo pra estilos de vida completamente diferente do que acham que é certo. Porque se auto-flagelam quando pecam e, pasmem, isso acontece em plena Era de Aquário. Coragem! Porque acham que a verdade é absoluta e por isso se acham os donos dela. Porque são completos ignorantes, influenciáveis e, com o perdão da palavra, otários!
Somos todos farinha do mesmo saco. Saímos do mesmo buraco e é pra lá que vamos voltar. Por que diabos o homem complica tanto aquilo que NÃO TEM EXPLICAÇÃO?

Eu imploro: que Deus me livre dos homens, mas principalmente de suas igrejas.

Thursday, November 16, 2006

Fragmentos de uma relação eterna

"[...]Depois toco o meu corpo, eu tenho frio
Sou um louco, amargurado e até vazio [...]"*



Se eu pudesse, remeteria essa e muitas outras cartas. Para que, quem sabe, eu parasse de chorar por uma relação que se desmancha a cada dia e que mesmo assim é eterna. Para que eu não mais tivesse essas reações, ainda que inconscientes. Para que eu relaxasse as mãos e continuasse a viver...


"[...]E te ver assim tão nua,
A verdade é toda nua e ninguém vê
Eu tenho as mãos atadas sem ação[...]"*


- a culpa é de quem? Dessa vez, é toda dela.


*Mãos Atadas/Zélia Duncan

Saturday, November 11, 2006

Carta ao papai - por Aquela que não deve ser nomeada

"Ah, como é bom poder te escrever! Como é bom ter certeza de que aqui - e somente aqui - direi verdades. Como é bom poder expressar o que, na verdade, quero cuspir na sua cara. Leia em voz alta para que todos possam ouvir. Serei curta e grossa, como sempre deveria fazer. Mas a genética, felizmente, não funcionou conosco.

Hipocrisia, muita hipocrisia. Andar com adesivo escrito "Deus é Fiel" não salva a alma de ninguém. Dar 10% do seu salário para ajudar no orçamento do carro do pastor, também não adianta. Apontar que isso ou aquilo está errado, não é a conduta de um fiel ao Senhor. Talvez a religião te tenha feito aflorar ainda mais esse lado, não acha? Pelo que lembro dessa época sombria de minha ainda curta vida, humilhar, desprezar e ignorar também não são atitudes que a Senhora Igreja prega. Contraditório, portanto, hipocrisia. É, devo confessar que você me ajudou muito a deixar a religião de lado. E hoje, sou uma pessoa descrente de tudo. Inclusive de você. Questiono se há o certo e o errado. Julgar não é o meu forte no que diz respeito às escolhas de outras pessoas, quer dizer: o certo e o errado são relativos. Ah pai, acho que a genética falhou de novo conosco.

Ainda me recordo das nossas posições na sala quando me contou sobre um possível filho feito "na paralela". Me lembro de como não deu importância pelo fato de me contar e me lembro muito bem de como contou. Não tinha coragem de olhar nos meus olhos, tampouco de falar a verdade. Você sempre foi homem de meias-verdades. E me pedia segredo. Mal soube você o quanto foi difícil guardar esse incrível acontecimento [até emociona!] por um ano, sem conseguir olhar nos olhos da minha mãe, do meu irmão. Ali eu te dava um voto de confiança. E, o que dizem, é que não te traí. Também me lembro com muita clareza de te ouvir falar que iria dar certo, de que você era adulto o suficiente e sabia o que estava fazendo. Não comunicou, não deu atenção, não quis ouvir ninguém. Casou-se com uma ordinária vestida de missionária e trouxe a debutante pra dormir na cama que era minha. E quando eu soube da grande novidade, saí como vilã da história toda, porque tinha ciúmes do pai. Os familiares apontavam, cochichavam, induziam e eu cedi. Mais um voto de confiança, na intenção de provar que não era perseguição PORRA NENHUMA.

Hoje, querido pai, enquanto você sai pra trabalhar, a perua vestida de boa samaritana se pendura no telefone, levando a palavra aos irmãos que não têm acesso à sagrada escritura, COM O SEU DINHEIRO. A bruxa vestida de lady vai ao cabelereiro, às compras, à loja de cosméticos, COM O SEU DINHEIRO. É com ele que ela pode ver o netinho que mora em Brasília, a mãe que morre de fome no interior de Goiás, a pastora que faz milagre de olhos fechados na Rocinha. De fato, tua mulher ganhou na loteria. E não vou te falar o que eu deixo de fazer por estar sem dinheiro. Aliás, o que dizem é que deveria agradecer aos céus [glória à Deus] pela filha que tem. Mas não repetirei isso, caso contrário, corto os pulsos ali e volto depois.

E pra finalizar, me lembro também da primeira vez que tive nojo de você. Sinta-se feliz por nunca ter tido coragem...enfim. Não irei me esquecer dessa segunda vez, acredite nisso. Que você queira ser idiota, tudo bem. Que queira ajudar na compra das cuecas dos padres, tudo bem também. Mas que queira interferir na minha vida, sinto muito, chegou tarde demais. Que não venha me cobrar atitudes que você mesmo não tem. Se isso acontecer, agora numa linguagem chã, é merda no ventilador na certa. Porque tudo é uma GRANDE merda. É uma armadilha...e, definitivamente, não sou mais a menininha que você criou. Quando o dinheiro não for mais problema, veja-me despedindo de você. Nem que o rumo seja a casa do caralho."


- a menina agora só chora, enquanto lamenta por nunca ter conseguido mudar o enredo da história.

Sunday, November 05, 2006

Orelha de Eurídice

Composição: Cazuza


"Você na multidão, você e diferente
As suas mãos me acenam
Não parecem ter morrido
Cheias de presentes, caixas coloridas
Trouxe uma orelha envolta num pano vermelho
É a prova, meu amor
Me espera sem uma orelha
Vou correndo, vou agora resgatar o meu amor
No asfalto quente do aeroporto como uma miragem
É a alma quem castiga o corpo
Esta é a mensagem
Na paisagem distorcida pelos aviões que sobem
Você voltou pra me ajudar e eu fico mais feliz
Mas ainda não estamos salvos
O ar está pesado
Não é só a cicatriz que identifica o ser amado
Temos que ter idéias juntos
Temos que achar uma maneira
É que agora está chovendo
Uma chuva sem vento
E há meia hora ventava
Vamos fugir pra dentro
Há meia hora ventava
E tínhamos coragem
E eu já estou cansado de não gostar de mim..."

Sunday, October 15, 2006

Pode ser a gota d'água

O silêncio, às vezes, me perturba. Meus objetos bagunçados, minhas roupas jogadas, meu telefone desligado. Tudo aqui parece denunciar meu comportamento. Talvez eu nunca entenda o relacionamento de pais e filhos. Cada ato, uma decepção. Cada palavra, uma perda. E tudo unicamente por defesa. Por auto-defesa. E o que eu posso fazer é sentir muito.

"[...] Tento imaginar que este silêncio seja o seu. Porque eu gosto quando é o seu. São momentos em que teu olhar me fala. Tua respiração, tuas mãos passando delicadamente pelo meu rosto, teus olhos fechando e abrindo lentamente [...]"

Mas aqui, agora, é só solidão. A música, a televisão, a Internet, não me fazem companhia. O celular que nunca toca. A minha aflição. A ansiedade por querer que me entendam. A mesma agonia de uns meses atrás. É perda.

Choro copiosamente encostada no sofá. Nem sua voz eu posso ouvir. O dia está bonito, o cheiro de comida está bom, as crianças brincando na rua, a vizinha cantarolando, nada, nada tem graça se você não está aqui. Não quero sair de casa porque não irei te encontrar. E a culpa não é de ninguém.

A culpa não é de ninguém, meu amor.

Tuesday, October 03, 2006

"De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta."

Sunday, October 01, 2006

Me abraça ao acordar

Um perfume atravessa minhas madrugadas,
Mãos me prendem na cama,
Um sorriso reluzente me faz tremer.
Definitivamente, a primavera chegou mais cedo pra mim.